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terça-feira, 11 de setembro de 2012



Estimados,

Com satisfação venho convidá-los para a oportunidade de participar do III Workshop:
" A ciência da respiração". 

Este evento é muito especial, pois abordaremos com detalhes a importância da respiração. Exercícios respiratórios, pranayamas, benefícios e contra-indicações, fisiologia da respiração, canais energéticos, prana (energia vital), limpeza das narinas (estarei demonstrando o uso do Lota), ferramentas para prática diária, enfim...
todo ensinamento necessário para conquistarmos uma boa respiração, revitalizando nossa energia e disposição.

Um estudo profundo sobre a ciência milenar e curativa de INSPIRAR e EXALAR!

Data: 29 de setembro / Sábado
Horário: 9h - 12h.
Valor: R$ 40,00 (com apostila)

Apenas 15 vagas.

Para maior conforto serão apenas 15 vagas, assim procure antecipar sua inscrição e garanta sua! 

"Aprendendo a controlar a respiração, damos fim em todas perturbações da mente e dos sentidos",
afirma o médico David Frowley,autor de Uma visão Ayurvédica da Mente,
a cura da consciência (Editora Pensamento)

OM TAT SAT.

Aline Freitas.

quarta-feira, 7 de março de 2012





"Mãos que servem são mais santas que lábios que oram."

Sathya Sai Baba

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012


Peço licença  ao querido mestre Yoganandaji, para transcrever aqui um dos capítulos deste livro fantástico, que é uma coletânea de suas  palestras . 
Boa leitura e boa reflexão!
Namastê.
No amor dos mestres,
Aline Freitas.


Aumentar o poder da iniciativa

1930, aproximadamente

Observando o vasto panorama deste mundo, no qual multidões humanas percorrem, apressadas, o tempo de vida que têm, não podemos deixar de perguntar qual a razão de tudo. Para onde vamos? O que nos motiva? Qual é o caminho melhor e mais seguro para chegarmos ao destino?

A maioria de nós corre a esmo, como automóveis em fuga, sem qualquer planejamento.Colidindo imprudentemente pela estrada da vida, não percebemos o propósito da viagem; raras vezes notamos se prosseguimos por curvas tortuosas, que não levam a parte alguma, ou por pistas retas que conduzem diretamente ao objetivo. Como achar a meta, se nunca pensamos nela?

Numerosas pessoas, apesar de ignorarem o destino da vida, ainda assim têm iniciativa suficiente para determinar o que querem e como chegar lá. Juntamente com desejos pessoais e com a tentativa de modificar seu ambiente, procuram usar sua iniciativa pra criarem o que querem. O que é essa iniciativa? É uma faculdade criadora, uma centelha do Criador Infinito dentro de cada um de nós.

Pense em uma dúzia de pessoas que conheça; não se parece a mente da maioria a um motor com potência de 1 HP? Muitas pessoas fazem uso limitado de suas energias criativas. Todo processo, a rotina de suas vidas, consiste basicamente em comer, trabalhar, divertir-se e dormir. Quando a vida é vivida assim, que diferença há entre o homem e os animais? Uma diferença, dizem os psicólogos, é que o homem é a única criatura que ri. Rir é bom, se não usar essa faculdade, você perderá um aspecto do desenvolvimento estritamente humano. Não seja igual aos que, entra dia e sai dia, levam a vida tão a sério que têm medo até de sorrir. Não sabem apreciar a vida.

Além da singular capacidade de rir, o homem tem outra qualidade superior, uma das maiores de todas - a iniciativa. Que faculdade misteriosa é essa? Os Estados Unidos são um país de iniciativa na área de negócios e em mecânica aplicada; a Índia é uma país de iniciativa em espiritualidade. Iniciativa é o poder de criar; criar  significa fazer o que ninguém fez, procurar fazer as coisas de maneira nova e tentar criar coisas novas. Iniciativa é a capacidade criativa que deriva diretamente do criador. Que tem feito você, em sua vida, com este dom divino? Quantas pessoas realmente tentam usar suas habilidades criativas? Passam-se semanas, meses, anos, e elas são sempre as mesmas; não mudaram, exceto em idade. O homem de iniciativa é tão glorioso quanto uma estrela cadente - criando algo a partir do nada e possibilitando o impossível, graças ao grande poder inventivo do Espírito.

Não seja uma pessoa de "1 HP"

Há três tipos de pessoas de iniciativa- a extraordinária, a média e a comum; centenas de outras estão agrupadas em uma "terra de ninguém , sem identidade. Faça esta pergunta a você mesmo: " Alguma vez já tentei fazer algo que ninguém fez?" Este é o ponto de partida para aplicação da iniciativa. Se não pensou nisso ainda, é igual a centenas de outros que pensam, erroneamente, não ter o poder de agira de modo diferente do habitual. São como sonâmbulos; as sugestão da mente subconsciente deram-lhe a consciência de pessoas de "1 HP". Se você tem andado pela vida nesse estado de sonambulismo, precisa acordar, afirmando: " Tenho a maior das qualidades, a iniciativa. Todos os seres humanos possuem a centelha de poder, pela qual podem criar algo jamais criado antes. Ainda assim, percebo como seria fácil ser iludido pela consciência mortal de limitação que permeia o mundo, se me eixasse hipnotizar pelo ambiente!" Mas se você disser: " Todas as vias de ação já foram tomadas; que adianta tentar?" - esta se deixando hipnotizar pela consciência mundana de frustração. Por isso, em todas as áreas da vida, muitos homens, carecendo de iniciativa, continuam fracassados.


(...)


Meu guru, Sri Yukteswarji, dizia: " Lembre-se disto: se tiver em seu interior a verdadeira fé divina e desejar algo que não existe no universo, isso será criado para você." Eu tive essa crença indomável em uma força interio, o poder espiritual da minha vontade, e sempre descobri que novas oportunidades foram criadas para dar-me o que eu queria.


O poder da iniciativa dentro de você permanece, subdesenvolvido, informe, inexplorado, inútil. Esse poder é inerente à alma; foi realmente concedido a todos, mas você não o utiliza. Como conseguir iniciativa? Se ainda não desenvolveu o poder de pensar criativamente ou a iniciativa de abrir o próprio caminho, sua primeira tentativa deveria consistir em melhorar o que alguém já fez. O esforço de aperfeiçoar invenções alheias é a forma mais comum de iniciativa..


A segunda categoria de iniciativa, a de qualidade média, é exibida por pessoas que escrevem ou inventam algo novo, mas sem relevância especial.


A iniciativa de melhor qualidade, ou a mais extraordinária, é a que projeta o bem diante do mundo em uma auréola fulgurante, como um Luther Burbank ou um Thomas Edison.. Foram homens de iniciativa invencível- iniciativa espiritual.. Terá sido Deus parcial com esses grandes homens, dando-lhes grandeza particular? Terão sido escolhidos pela Vontade Divina para  revestirem-se de tanta glória? Não. Simplesmente usaram a iniciativa pra revelar a grandeza e a glória que pertencem a todo homem por direito de nascimento, como filho imortal de Deus que cada um é. Os que procuram a glória pessoal nunca são grandes: inflados de orgulho, não contam com nenhum apoio real da parte de Deus. Os que gostam de dar- força, coragem, música, arte- são grandes homens.


(...)


Você deve descobrir o poder que tem


(...) Os que entraram na luta há muito tempo são os que gozam agora os frutos de sua atividade. Você deve descobrir o poder que tem; deve lutar para vencer aparentes impossibilidades.


Para obter sucesso em grande estilo, em qualquer vocação, você deve estar preparado para suportar a opinião crítica do mundo. Fique longe de pessoas de "1 HP" se quer ser original - pensando diferente, falando um pouco diferente. Seja incansável em seu zelo. O homem de iniciativa extraordinária devora todas as dificuldades, acreditando, no fundo do coração, que está certo. Com inflexível perseverança , prossiga em seu caminho, sabendo que tem, atrás de você, o poder criador infinito.


(...)


Sempre que quiser criar algo maravilhoso, sente-se em silêncio e aprofunde-se na meditação, até entrar em contato com o poder infinito, criador e inventivo, que há dentro de você. Tente algo novo, mas tenha sempre a certeza de que o grande Princípio criativo está por trás de tudo que você faz e que o auxiliará. Todo ser humano destina-se a ser guiado pelo ilimitado poder criador do Espírito. Com suas dúvidas e indolência, você tem sufocado a fonte de poder criativo interior. Abra caminho para ela! Mostre determinação inamovível em tudo que o faz.


Quase todos contentam-se em nutrir-se com citações mortas, em colecionar idéias alheias , sem jamais revelar a própria individualidade. Que há em você que o distingue dos outros? Onde está a grande singularidade do poder de Deus em você? Você não o tem usado.


O poder infinito do Senhor o sustenta


(...)


Faça pequenas coisas de forma extraordinária; seja o melhor em sua área. Não permita que sua vida transcorra de forma medíocre; faça algo que ninguém fez, algo que deslumbrará o mundo. Mostre que o princípio criador de Deus opera em você. Esqueça o passado. Mesmo que seus erros sejam tão profundo quanto o oceano, a alma não pode ser engolida por eles. Tome a firme decisão de progredir em seu caminho, sem se deter ou limitar por pensamentos de erros passados.


A vida pode ser sombria, dificuldades podem surgir, oportunidades podem transcorrer  sem serem utilizadas, mas nunca pense: " Estou liquidado. Deus me abandonou." Quem pode fazer algo por esse tipo de pessoa? Sua família pode abandoná-lo, a boa sorte pode parecer desertá-lo, todas as forças humanas e da natureza podem se mobilizar contra você; mas, pela qualidade da iniciativa divina em seu interior, você pode derrotar todas as investidas do destino, criadas por suas próprias ações errôneas do passado, e, em marcha vitoriosa, entrar no paraíso.


Ainda que seja derrotado centenas de vezes, decida que, mesmo assim, você sairá vencedor. A derrota não durará eternamente. A derrota é um teste temporário. Naturalmente, Deus o quer invencível, quer que coloque em ação a força onipotente em seu interior, para que, no palco da vida, você possa cumprir o elevado papel que lhe foi destinado.


Deus planejou o mundo para nossa recreação.


Como descobri o papel que lhe cabe? Se todos quisermos ser reis, quem serão os servos? No palco, os papéis de reis e de súditos são igualmente importantes, se forem bem representados. Você deve lembrar que é por isso que somos enviados ao mundo com diferenças, com desejos por diversas vocações. Deus planejou o mundo como uma peça teatral, um enorme espetáculo para nosso entretenimento. Mas nós esquecemos o plano do grande diretor e queremos representar o papel  como bem entendemos, não como Ele deseja.


Você  fracassa no palco da vida porque tenta representar um papel diferente do que lhe foi divinamente  designado. Às vezes, o bobo da corte atrai mais atenção que o rei. Portanto, por mais obscuro que seja o seu papel, represente-o conscienciosamente. Sintonize-se com o Espírito e representará bem o seu papel no drama terreno.


Você não veio destinado a sofrer. Os que representam papéis trágicos devem compreender que só estão encenando. Não importa o papel que tenha que representa; procure sempre encená-lo bem, em harmonia com a orientação do Diretor, para que sua pequena atuação ilumine os demais. perceba que, no palco do mundo, um aspecto do poder infinito do Espírito opera por seu intermédio.


O Espírito infinito cria novo êxito. Ele não deseja que você seja um autômato. Sintonize-se com o Poder Cósmico e, esteja você trabalhando na fábrica ou  se envolvendo com  gente no mundo dos negócios, afirme sempre: " Dentro de mim está o Poder Criador Infinito. Não irei para o túmulo sem algumas realizações.  Sou um homem-Deus, uma criatura racional. Sou o poder do Espírito, a Fonte dinâmica de minha alma. Criarei novidades no mundo dos negócios, no mundo dos pensamentos, no mundo da sabedoria. Eu e meu Pai somos UM. Posso criar tudo que quiser, à semelhança de meu Pai criador."


A Eterna Busca do Homem. Pág 348-353.


Paramahansa Yogananda.

sábado, 2 de abril de 2011


A prática de yoga desperta o anseio da alma.

Você fugiu de Deus como filho pródigo e somente retornando a ele, internamente, é que transformará esse vale de lágrimas em um porto seguro dos céus. Não há outro caminho. Se todos no mundo fossem milionários, ainda haveria problemas de tristeza, pois não se pode comprar felicidade inabalável. Essa só se obtém com a prática de uma técnica de yoga e com a devoção, interiorizando-se. Praticar yoga é metade da batalha. Mesmo que não fique muito entusiasmado no  princípio, se continuar praticando, acabará por sentir o tremendo anseio por Deus, necessário para conhecê-lo.
Porque não fazer o esforço. De onde emergem, constantemente, todas as belezas da criação? De onde vem a inteligência das grandes almas, se não do reservatório do Espírito infinito? E se essas maravilhas que você vê a seu redor não bastam para induzi-lo a buscar Deus, porque ele se revelaria a você? Ele lhe deu a capacidade de amar para que possa ansiar por ele acima de tudo. Não faça mau uso do amor e da razão. E não desperdice a concentração e a inteligência em objetos falsos.

Paramahansa Yogananda!

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011


As palavras apontam

por Tales Nunes

Após anos de estudos das escrituras, o Professor discursava de maneira eloquente sobre o que é Brahman, sobre a Realidade do Ser. Suas belas palavras inspiravam diversos alunos. Porém o Professor sabia que faltava algo ainda as ser compreendido. Havia eloquência em sua mente e em suas palavras, porém em seu coração, faltava ainda tranquilidade e a verdadeira compreensão. Brahman era algo ainda distante para ele, uma verdade a ser alcançada, no futuro, talvez mesmo noutra vida. Quanto mais discursava, mais ansioso ficava seu coração. Sentia suas palavras vazias, elas apontavam para longe e não para si mesmo. Decidiu, portanto, procurar um mestre, revelar a sua inquietação e buscar uma explicação que o aquietasse.

Professor: Mestre, o meu discurso é claro, sei o que contém todas as escrituras, as Upanishads estão gravadas em minha mente. Porém, meu coração parece não ter assimilado este Conhecimento que fala sobre o Ser. Esse Ser parece algo ainda a ser alcançado por mim. Mostre-me o que é o Ser.

Mestre: Entendo, faça japa (repetição de mantras). Depois retorne.

Professor: Mestre, mas eu quero que me mostre.

Mestre: Vá e retorne.

Após alguns dias o Professor, agora discípulo retorna:

Discípulo: Fiz o que me mandou.

Mestre: Então, enquanto faz os mantras, quem é você?

Discípulo: Sou o corpo que dói, as emoções que oscilam, os pensamentos de distração.

Mestre: Faça japa.

Após dias, ansioso por contar a sua experiência, o discípulo senta aos pés do mestre e escuta a pergunta.

Mestre: Enquanto faz os mantras, quem é você?

Discípulo: Sou o mantra, nada mais.

Mestre: Faça japa.

Após dias, retorna novamente, ansioso pela pergunta do mestre e certo de que esta seria a resposta que o agradaria.

Mestre: E agora enquanto faz os mantras, quem é você?

Discípulo: Sou o silêncio entre um mantra e outro.

Mestre: Faça japa.

Após dias retorna, olha nos olhos do mestre e aguarda a pergunta.

Mestre: E agora enquanto faz os mantras, quem é você?

Discípulo: Eu Sou, apenas.

Mestre: Este eu Sou que é você, este é Brahnan, a realidade última do mundo, que empresta realidade a tudo o mais. Que empresta realidade ao corpo que dói, as emoções que oscilam aos pensamentos de distração, ao mantra, ao silêncio. Este é o real Sujeito, que está sempre presente. Quem é você agora?

Discípulo: Eu Sou Brahman.

Aquelas palavras que sempre apontaram para fora, agora apontavam para si mesmo, revelavam o que sempre buscara e refletiam a si mesmo como um espelho. E assim, havendo compreendido todas as palavras que por anos ensinou, o Discípulo, agora com o coração tranquilo, reverenciou o Mestre e o ensinamento com enorme gratidão.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

O EGO DO PROFESSOR DE YOGA e também de alguns praticantes...



Esta reflexão resulta de uma observação atenta de mim mesmo como praticante e professor de Yoga nos últimos 8 anos e meio. Boa parte deste texto é autobiográfico, coisas que fiz, que faço, outras que já melhorei e outras tantas que tenho que melhorar. Aqui e ali juntei características e aspectos de outros professores que tenho observado no diverso mundo Yogi da actualidade.

Eu sou professor de Yoga!
Hoje em dia existe um número crescente de praticantes de Yoga, nomeadamente no Ocidente. E com isso sobe também o número de instrutores, professores e mestres. Encontramos todo o tipo de oferta para a pessoa que se quer tornar professor desta bela e antiga cultura que é o Yoga. Mas será que todos os que se tornam professores têm consciência daquilo que representa ser professor de Yoga?

Facilmente uma pessoa pode tirar um curso de um mês, uma semana e até um fim-de-semana e tornar-se num “professor” de Yoga. Qualquer pessoa, mesmo sem qualquer ideia do que seja o Yoga pode, em pouco tempo, estar a ensinar a uma outra. Muitas dessas pessoas, descontentes com a sua profissão, acham no Yoga uma oportunidade para salvar a sua vida. Mas, uma coisa é praticar o Yoga e outra é ensiná-lo!

Então temos por aí muito boa gente ensinando com pouquíssima prática, algum conhecimento de técnicas e quase nada do contexto e tradição. Falta, em muitos casos, a presença de alguém que a acompanhe e ensine, a prática, o amadurecimento, os valores, etc. Mas falarei sobre isso mais adiante.

O problema surge quando o professor de Yoga se acha o máximo apenas por isso mesmo, ser professor de Yoga. Aí começa a história do ego do professor de Yoga. O ego é algo importante na nossa vida, no sentido que é através dele que o indivíduo estabelece relações com os demais indivíduos. O ego em si não é um problema, um ego inflado sim. Um ego inflado de um professor de Yoga leva-o a pensar que é um ser especial e superior aos demais. Quando alguém lhe pergunta o que ele faz (ou mesmo quando não lhe perguntam) ele exclama aos quatro ventos: Eu sou professor de Yoga!

Lembremo-nos que um professor, mesmo tratando-se de um real professor de Yoga, é apenas um praticante dedicado com alguma experiência num assunto, não é um mestre, ainda tem caminho para percorrer. Essa arrogância que é verificada em muitos professores advém de uma identificação com esse papel, o de professor. Quando o professor de Yoga é também vegetariano pode tornar-se duplamente arrogante com os outros, ao considerar que também o facto de comer vegetais é sinónimo de pessoa mais iluminada.

Relembro aqui uma frase que gosto muito do professor Iyengar: “Quando passamos a sentir-nos apartados dos outros ou superiores a eles, mais puros ou mais elevados por causa do Yoga, é certo que entrámos na calmaria ou estamos à deriva, sendo arrastados de volta a um estado de ignorância”.


O professor sabe-tudo
Dentro da comunidade “Professor de Yoga” encontramos de tudo. E uma dessas categorias é o professor “sabe-tudo”. O professor sabe-tudo é aquela pessoa que, por saber de Yoga, pensa que o Yoga pode ajudar toda a gente por exemplo. Esta pessoa aventura-se em áreas delicadas, como lidar com pessoas com doenças mentais, problemas graves de saúde, entre outros, pensando que o Yoga as poderá salvar. Ora, lembremo-nos que o Yoga serve para nos ajudar no nosso caminho para moksha, a libertação, tudo o resto é secundário. Os efeitos terapêuticos do Yoga são reais, mas esse não é o seu objectivo principal e para além disso, para se praticar Yoga são necessárias vontade e consciência por parte do praticante, senão que raio de Yoga estará a fazer?

Porquê querer que o Yoga sirva para tudo? Para quê querer levar o Yoga a todas as pessoas, mesmo àquelas que não o pedem nem têm capacidade para tal? Para quê metermo-nos em áreas que já têm especialistas, pessoas que se dedicam àquilo? Porque não nos concentramos naquilo a que o Yoga se propõe? Será que não é suficiente?

Porque esse professor de Yoga (o do ego inflado) quer protagonismo. Pensa que por saber meia dúzia de ásanas e pránáyámas pode ajudar todas as pessoas. Pode-se pensar que tem boas intenções por querer ajudar o outro mas, na realidade o que o move é a sua auto-promoção e por vezes inocência misturada com ignorância e teimosia, também.

Provavelmente é aquele mesmo professor que gosta de ser o centro das atenções numa conversa. Fala muito, não consegue estar em silêncio e ouvir os demais, quer expor todos os seus pontos de vista (que são muito válidos pois afinal ele é professor de Yoga), fala, fala e fala, das “suas” teorias, das “suas” descobertas, das “suas” façanhas, dos “seus” alunos, das suas aulas, dos cursos que dá, dos eventos que realiza…

O professor sabe-tudo é também aquele que, estando a praticar numa aula ministrada por um outro professor, gosta de olhar para os outros enquanto praticam. Mas ele não se limita a dar uma espreitadela, ele olha com os olhos de professor, não com os de praticante que deveria ser naquela altura, para ver o que a turma está a fazer. Muitas vezes ele ainda se aventura a corrigir os alunos, a dar dicas, a parar sua prática para ir mexer em alguém ou mandar opiniões para o ar. Ele simplesmente não consegue largar o papel de professor, não consegue apenas praticar descansado e concentrado. É uma situação chata, pois tanto o real ministrante como os demais praticantes sentem-se incomodados com aquele intruso, que não é nem praticante nem o professor daquela prática (ou palestra, ensinamento, etc.).

Tenho muitos livros, um certificado passado na Índia e consigo colocar o pé atrás da cabeça!
Existem professores de Yoga que gostam de acumular livros sobre Yoga nas prateleiras de sua biblioteca. Vão comprando e comprando com a esperança de nalgum dia poderem lê-los ou simplesmente porque ter muitos livros, pensam eles, já é sinónimo de conhecimento. E quem diz livros, diz todo o tipo de material relacionado com Yoga, cd’s, dvd’s, etc…

Outra situação que pode inflar o ego do professor de Yoga é uma viagem à Índia. Muita gente vai para a Índia em busca de um certificado passado lá por um “guru” qualquer, para depois voltar e poder dizer que praticou Yoga na Índia com um indiano, como se a simples viagem à Índia fosse sinónimo de evolução.

Nos últimos anos o Yoga vem ganhando cada vez mais adeptos e muito se deve ao aspecto mais superficial da prática, o ásana. Grande parte dos praticantes, especialmente no ocidente, baseia a sua prática de Yoga na parte corporal. Desenvolveu-se todo um arsenal de posturas e acessórios para realizar as posturas na perfeição e ficou esquecido a parte da meditação, do ensinamento, dos valores e da tradição. Vê-se grandes executantes de ásanas, dedicando-se anos e anos a aperfeiçoar o alinhamento do dedo mínimo do pé, um centímetro mais aqui ou mais ali. Metem o pé atrás da cabeça mas tropeçam nos yamas e niyamas.

Eu reparo que a maior parte desse pessoal vai ficando cada vez mais quadrado, mais viciado e fechado naquilo, vivendo para aperfeiçoar o seu corpo, tentando ganhar a todo o custo (mesmo de lesões) mais uns centímetros de alongamento, mais força, alimentando seu ego, obcecados com a forma ou na esperança de ter um corpo imortal. Temos por aí professores muito bons a realizar posturas mas ao mesmo tempo fora do contexto do Yoga, longe daquilo a que o Yoga se propõe, longe do conhecimento.

Falta humildade e simplicidade nos professores de Yoga. Chega a um ponto em que deixam de praticar com outros professores. Muitos rejeitam a ideia de um mestre que os possa ensinar e ajudar no caminho para moksha. Eles acham-se sabedores. Muitos simplesmente param de aprender, estagnam, ficam demasiados orgulhosos para se “submeterem” ao ensinamento de alguém. “Quem é esse professor para me ensinar?” dizem eles.

Ao professor quadrado falta-lhe adaptabilidade e aceitação, de si mesmo e de tudo o que o rodeia. Gosta de criticar as pessoas (não yogis, ou yogis de outra espécie), o sistema e o mundo em geral. É aquela mesma imagem de alguém todo alternativo e contra o sistema mas bebendo Coca-Cola e fumando Marlboro. Se vai a uma aula em que lhe seja sugerido algo diferente (digamos apoiar a mão em cima de um bloco num trikonásana), torce-se todo por dentro, evita fazer e se tiver mesmo que fazer o seu orgulho fica ferido, como se usar um bloco fosse sinal de deficiência. É o mesmo professor que não gosta de ser corrigido ao praticar, espera sempre que a sua prática seja perfeita e suas palavras repletas de interesse. Sente um arrepio na espinha e uma irritaçãozinha quando alguém lhe põe as mãos em cima para o ajudar.

Uma marca chamada Yoga

Com a crescente proliferação do Yoga no ocidente, surgiram todo o tipo de métodos. Existe Yoga para tudo, para homens, mulheres, crianças, bebés, cães, gatos, empresários, desportistas, homossexuais, pessoas assim e assado, todos os estilos, todas as formas… mistura-se tudo, Yoga com Pilates, com surf, com tai-chi, com dança, com religião, com massagens… Hoje o Yoga é um ingrediente fundamental na salada russa da moderna espiritualidade ocidental.

Então o Yoga termina sendo um produto, uma marca, e muito rentável por sinal. E como vivemos num mundo competitivo e porque faltam coisas fundamentais na formação do professor de Yoga, este tende a tornar-se competitivo também. Mais dia menos dia terá que inventar o “seu” Yoga, inventando novas técnicas, novas acrobacias, coisas arriscadas e espectaculares de preferência. Métodos “secretos” de meditação e iluminação que só podem ser passados a alguns em retiros de iniciação para pessoas avançadas (aqueles que têm mais dinheiro para pagar).

Esse tipo de professor é aquele que gosta de aparecer na TV, nos jornais, em tudo que mexa com exposição pública, para poder vender melhor o seu produto, o Yoga. Esse professor torna-se num empresário, veste fato e gravata se for preciso, passa o dia a distribuir flyers na rua e a pensar em novas maneiras de atrair clientes. Porque para ele e para que o negócio do Yoga renda, os alunos não passam de clientes.

E com toda esta competição aberrante têm que se formar mais instrutores, para que estes alimentem os que estão mais acima na pirâmide. E ao formarem-se mais professores (e na maioria dos casos professores sem base, sem estrutura), mais difícil é arranjar trabalho, e quando isso acontece o professor sujeita-se a qualquer coisa. Trabalha em dez locais diferentes, passa o dia a viajar de um lado para o outro, deixa de fazer a sua prática pessoal, deixa de estudar, não tem tempo para nada, apenas para fazer uns gestos mecânicos ao som de música new age.

E é aí que surge a conversa do: “Meu Yoga é melhor que o teu, é o mais completo, o mais perfeito, o mais antigo!”. “O meu mestre é o melhor e o mais iluminado do mundo”. O que resta do Yoga? Daquilo que representa o Yoga? Nada, ou quase nada. Os valores perdem-se, alimentam-se as diferenças e as guerras de personalidade. E o pior de tudo é que isso é transmitido aos praticantes de Yoga, àquelas pessoas que de forma genuína buscam o verdadeiro Yoga.

Os equívocos e as distracções

Sempre penso que muito daquilo que tenho estado a escrever deve-se à crescente falta da prática e do estudo do Yoga por parte do professor de Yoga. É essencial o professor continuar a manter a sua prática pessoal, o seu estudo, o aprender com outros professores. Tudo isso mantém-nos purificados, centrados, alinhados para podermos, pouco a pouco, aprofundar no conhecimento do Ser que somos.

Muitos dos equívocos que surgem no seio do Yoga devem-se à falta do contexto, ao esquecermo-nos que há uma tradição que tem milhares de anos, ao esquecermo-nos que há um ensinamento de valor incalculável, ao esquecermo-nos que houve alguém que nos ensinou e outros que continuam a ensinar.

Por toda esta tradição, por tudo isto que nos foi dado, por este privilégio que é poder praticar e ensinar o Yoga, temos uma grande responsabilidade em mãos, temos o dever de ensinar de forma correcta e adequada a cada aluno. Não fazer dos alunos cobaias das nossas invenções e inseguranças. Não ter falta de cuidado na hora de ajustar o aluno, estar focado para que nada de menos bom aconteça. Muito menos cultivar aquela atitude de professor durão que chega à aula e quer pôr o pessoal todo a suar. Tem professor de Yoga que gosta de fazer aulas muito duras só para que os alunos, ao terminarem a classe, comentem que ele é duro e exigente e no dia seguinte possam sentir os músculos do corpo todos doridos. Não cair na tentação de fazer ajustes muito fortes só porque metemos na cabeça que aquele aluno tem que fazer o ásana que está no livro.

Não há maior equivoco que a ideia de que um bom professor de Yoga é aquele que faz os ajustes mais fortes e dá as aulas mais puxadas.

O ego do professor de Yoga também pode resultar numa atitude de insegurança. É o exemplo típico do professor que não faz mantra na aula pois tem vergonha e receio do que os alunos vão pensar. Se ele já faz o mantra habitualmente mas entra um aluno novo lá vem de novo o embaraço… Temos que ensinar aquilo que aprendemos, gostamos e sabemos. Não podemos fazer uma aula puxada só porque um aluno gosta de malhar nem uma aula toda deitados porque um outro só quer descomprimir do dia de trabalho. Não podemos ter receio de perder alunos, esse é um dos maiores medos do professor de Yoga, ele vive sobressaltado com a ideia de perder alunos e com isso o dinheiro para pagar suas despesas. Ele não confia nas suas capacidades e muito menos na ordem natural do universo.

O meu professor Pedro Kupfer sempre diz que não há coisa pior num professor de Yoga que ser chato. Ninguém quer praticar com um professor chato, com aquele chato que chega todos os dias na aula com cara séria para impor respeito. Aquele professor arrogante que gosta de impor e exigir demais das pessoas, que quer que as pessoas sejam como ele, ou melhor, com a ideia distorcida que ele tem de si mesmo como sendo um super humano.

Esquecemo-nos facilmente que só existe professor quando há aluno. É o aluno que dá sentido ao papel do professor. São os alunos que nos permitem continuar neste caminho abençoado, que é o de praticar e ensinar o Yoga. Com eles aprendemos sempre muito e graças a eles mantemo-nos em estreito contacto com o ensinamento que estamos a passar.

Qualidades a serem observadas no bom professor de Yoga
Mas como se costuma dizer “enquanto há vida há esperança”, enquanto vivermos temos sempre oportunidades para nos melhorarmos e crescermos no Yoga. Assim, penso ser importante cultivar algumas coisinhas, que nada mais são que o aplicar da ética do Yoga, os famosos yamas e niyamas, ou os valores descritos na Bhagavad Gitá.

É importante que nós, professores de Yoga, tenhamos a capacidade de falar e ensinar ao nível das pessoas. De pouco adianta usarmos termos complicados que a pessoa não irá entender, nem tampouco tentar ensinar e dar aquilo que a pessoa não quer ou não precisa nesse momento. Devemos desenvolver a compaixão pelos outros, tornamo-nos em contribuidores (expressão que o Swami Dayanandaji muito repete) na sociedade onde vivemos.

Como bem ensina Patañjali devemos desenvolver uma atitude de compaixão perante aqueles que sofrem, amizade perante os que estão felizes, neutralidade perante quem realiza acções equivocadas e alegria perante os que realizam acções virtuosas. Tudo isto, bem como o cultivar a não-violência, a verdade, etc., resultam do principio básico do dharma: não fazer aos outros o que não gostamos que nos façam a nós. E para isso tem que haver um entendimento profundo e completo do valor dos valores e para esse entendimento acontecer temos que observar-nos constantemente durante o dia, em todos os momentos, em todas as acções.

Cultivar o belo valor de kshánti, a aceitação, o saber acomodar todas as pessoas, independentemente da sua história, das suas acções e reacções. Ao libertarmos a pessoa de nosso julgamento libertamo-nos a nós próprios e não há nada na vida que o yogi mais preze que a liberdade e simplicidade. Se não conseguimos acomodar as pessoas viveremos com o peso das expectativas e frustrações que, equivocadamente, projectamos nessas pessoas.

Ensinar aquilo que sabemos, fazermos a nossa prática pessoal, continuar a praticar e aprender com o nosso professor e outros que sejam um exemplo vivo daquilo que representa o Yoga. Respeitar e honrar a tradição do Yoga e não utilizar o Yoga para fins egoístas.

Termino com uma sábia frase do Swami Dayananda: “Íshvara, possa eu desfrutar e ter a maturidade de aceitar simplesmente o que não posso mudar, a vontade e o esforço para mudar o que posso, e a sabedoria para saber a diferença”.

Créditos: Professor Simão

segunda-feira, 12 de abril de 2010





MUDE SUA ENERGIA!!! 


Estratégias Mentais (o que você deve fazer de dentro para fora):
1. Pense sempre, de forma positiva. Toda a vez que um pensamento negativo vier à sua mente troque-o por outro. Para isso, é preciso muita disciplina mental. Você não adquire isso da noite para o dia, assim como um atleta, treine muito. 
2. Não tenha medo de nada e nem de ninguém. O medo é uma das maiores causas de nossas perturbações interiores. Tenha fé em você mesmo. Sentir medo é acreditar que os outros são poderosos. Não dê poder ao próximo. 
3. Não se queixe. Quando você reclama, tal qual um imã, você atrai para si toda a carga negativa de suas próprias palavras. A maioria das coisas que acabam dando errado começa a se materializar quando nos lamentamos. 
4. Risque a palavra "culpa" do seu dicionário. Não existe culpa, existe responsabilidade. 
5. Não deixe que interferências externas tumultuem o seu cotidiano. Livre-se de fofocas, comentários maldosos e gente deprimida. Isto é contagioso. Seja prestativo com quem presta. Sintonize com gente positiva e alto astral. 
6. Não se aborreça com facilidade e nem dê importância às pequenas coisas. Quando nos irritamos, envenenamos nosso corpo e nossa mente. Procure viver com serenidade e quando tiver vontade de explodir, conte até dez. 
7. Viva o presente. O ansioso vive no futuro. O rancoroso, no passado. Aproveite o aqui e o agora. Nada se repete tudo passa. Faça o seu dia valer ser vivido. Não perca tempo com melindres e preocupações, pois só trazem doenças. 

Estratégias Físicas (o que você deve fazer de fora para dentro): 
1. A água purifica. Sempre que puder vá à praia, rio ou cachoeira. Em casa, enquanto toma banho, embaixo do chuveiro, de olhos fechados, imagine que seu cansaço físico e mental e toda a carga negativa estão indo por água abaixo. 
2. Ande descalço quando puder, na terra de preferência. Em casa, massageie seus pés com um creme depois de um longo dia de trabalho. Ou escalde-os em água morna. Acrescente um pouco de sal grosso para se descarregar. 
3. Mantenha contato com a natureza, tenha em sua casa um vaso de plantas pelo menos. Cuide dele com carinho. O amor que dedicamos às plantas e animais acalma o ser humano e funciona como um relaxante natural. 
4. Ouça músicas que o façam cantar e dançar. Seja qual for o seu estilo preferido, a vibração de uma canção tem o poder de fazer nos sentirmos vivos, aflora a nossa emoção e abre o nosso canal com a alegria. 
5. Queime um incenso de vez em quando e purifique o seu ambiente. Prefira fazê-lo na sua casa e aproveite para meditar, respirar profunda e pausadamente, como se fosse uma ginástica mental. A mente também precisa de exercícios. 
6. Sinta o aroma das flores e dos perfumes sempre que tiver uma oportunidade. Muitas sensações de conforto se originam num simples ato de inspirarmos delicadamente fragrâncias sutis e agradáveis. 
7. Liberte-se! Sempre que puder livre-se da rotina e pegue a estrada, nem que seja por um único dia. Tem efeito revigorante para qualquer ser humano. Conheça novos lugares e novas pessoas periodicamente. Viva a vida! 

 

sexta-feira, 9 de abril de 2010




HISTÓRIA DO GANESHA


Ganesha pertence à família dos deuses mais populares do Hinduísmo. Ele é o primogênito de Shiva e Parvati. Shiva é a terceira pessoa da trindade hindu. É o Deus da renovação, destrói para construir algo novo (transformação). Ele é o criador da Yoga. Parvati é a filha dos Himalayas. Deusa da beleza, mãe bondosa e mulher devotada. Shiva tem alma aventureira e adora viajar montado em sua vaca branca Nandi. Infelizmente, os lugares que ele mais gosta são as montanhas inacessíveis e perigosas. Adora também os crematórios, mas sua paixão é a meditação e a Yoga. Quando pratica a Yoga, nem mesmo um terremoto o perturba.
Por algum tempo depois de seu casamento com a bela Parvati, vivendo em um bangalô no Himalaya, longe da civilização, Shiva começava a sentir falta de suas viagens; foi quando Parvati, já desconfiada, pergunta-lhe: — Shiva, por que não viaja por uns tempos? Não sente saudades dos seus companheiros? — É que quando estou perto de você, não sinto falta de nada. E, na verdade, todos os meus companheiros estão em torno da casa, eles nunca se afastam de mim. Eu não quero assustá-la, mas todos os fantasmas, demônios e gnomos, apesar de estarem invisíveis e quietos, estão presentes. Espero apenas que não peça para mandá-los embora, pois são como crianças e sabem o quanto te amo.
— Claro que não Shiva, podem ficar. Mas e a sua meditação? Ela era sua maior ocupação. Shiva, no fundo, sabia que ela estava certa e que tinha muita saudade das montanhas, onde sentava para meditar. E sabia que fora através da meditação que conseguiu se transformar em um Deus tão poderoso. Shiva então, depois de uma longa conversa, decidiu sair para meditar. Feliz, Shiva coloca sua pele de tigre na cintura, enrola suas cobras favoritas no pescoço, apanha seu tridente e sai montado em sua vaca, Nandi, seguido de seus estranhos companheiros. Mas não podemos nos esquecer que quando Shiva medita, é impossível despertá-lo. E foi isso que aconteceu, muito tempo se passou. Quando, finalmente, Shiva se levantou da posição de lótus, lembrou-se de sua Parvati e correu de volta para ela. Nesse ínterim, Parvati transformara aquela simples choupana num lugar muito confortável e bonito. E nem ficou sozinha por muito tempo. Shiva não sabia, mas a tinha deixado grávida. E no tempo certo, deu à luz um lindo bebê, Ganapati. Os anos passaram-se, o deus bebê cresceu e se transformou num rapazinho muito inteligente. Numa manhã de primavera, Parvati estava tomando banho enquanto Ganapati mantinha-se perto do portão, aguardando sua mãe. Neste instante um homem alto, com cabelos longos, um monte de cobras enroladas em seu pescoço e vestido com uma pele de tigre e uma aparência selvagem, aproxima-se do portão.
Shiva parou e olhou com estranheza para o bangalô. "Será que esta casa linda era mesmo a sua? E quem seria aquele rapaz parado no portão?" Deixe-me entrar! — disse Shiva, impaciente e descortês. — Não — respondeu Ganapati — Você não pode entrar! Empurrando o rapaz para o lado, Shiva atravessou o jardim e foi direto para casa. Ganapati sabia que sua mãe estava tomando banho, e aquele homem rude não poderia entrar em sua casa. Ele correu e se postou à porta, de espada em punho. Pobre menino! Que hora mais infeliz para provocar a ira do pai! E Shiva, nesse momento, perdeu completamente as estribeiras e seu terceiro olho, o do poder, apareceu no meio de sua testa, brilhando como fogo, e em segundos o corpo do rapaz jazia sem cabeça no chão. Ouvindo vozes e gritos, Parvati apressou-se e saiu correndo do banho. Ao abrir a porta, viu horrorizada o corpo do filho estendido sem cabeça; e em sua frente, o marido, que há tanto se fazia ausente. Shiva corre para abraçá-la; e ela, desviando-se do abraço, chora amargamente. — Mas o que você fez? — O que você fez? Ela repetia, torcendo as mãos em desespero. — Este era o seu filho, e você o destruiu!
Só então Shiva caiu em si e se entristeceu de verdade. Logo tentou confortá-la:
— Nosso filho é um Deus; portanto, não pode estar morto. Encontra-se apenas desmaiado. Mas Parvati não queria ouvir nada daquilo e lhe disse:
— Você o destruiu! De que serve um Deus sem cabeça? Shiva tentou da melhor forma que podia dizer-lhe que não tinha feito nenhum mal ao rapaz. Parvati insistia com Shiva para que ele colocasse a cabeça de seu filho no lugar, mas Shiva dizia que não podia desfazer o que já estava feito. E Parvati chorava muito... Então Shiva teve uma idéia: capturar o primeiro animal que encontrasse e tirar sua cabeça para colocá-la sobre os ombros de seu filho. Foi quando encontrou um elefantinho bebê, tirou sua cabeça e a colocou em Ganapati; e naquele momento, o nome do rapaz passou a ser Ganesha. Parvati tentou de diversas formas mudar o acontecido e pedia para outros Deuses que dessem ao seu filho uma cabeça decente.
Então os deuses pediram à linda Parvati que secasse suas lágrimas e tudo se resolveria. Brahma, que adora as crianças, Vishnu e Indra pediram à Parvati que perdoasse Shiva, pois ele não sabia o que estava fazendo e deixaram bem claro que Ganesha não perderia nada com isso. Apesar de não ser mais tão atraente, todos o reconheceriam pela sua bondade e o amariam pelo que ele era. Brahma prossegue:


Ganesha será o Deus da sabedoria, será o Escrivão dos céus e o Deus da literatura. Acrescenta, Vishnu:
Será o Deus que removerá todos os obstáculos, e será para Ganesha que todos rezarão em primeiro lugar, antes de invocar qualquer outro Deus. Será o Deus que sorrirá com boa fortuna para todas as empresas novas. E é assim que tudo aconteceu...



O verdadeiro estado do Eu, a alma, é bem-aventurança, sabedoria, amor e paz. É ser tão feliz que, não importa o que esteja fazendo, você tem prazer no que faz. Não é muito melhor isso do que andar pelo mundo atabalhoadamente como um demônio inquieto, incapaz de satisfazer-se com coisa alguma?


Paramahansa Yogananda, Paz Interior

segunda-feira, 1 de março de 2010





Os Sete passos para a superação do controle do Ego

Aqui estão sete sugestões para ajudá-lo a transcender os conceitos enraizados do orgulho.
Foi escrito com o intuito de preveni-lo contra a falsa identificação com o ego orgulhoso.

1. Pare de se sentir ofendido.


O comportamento de outras pessoas não é motivo para se sentir imobilizado.
Existe a ofensa apenas quando você se enfraquece.
Se procurar por situações que o aborreça, as encontrará em cada esquina.
É o ego no controle convencendo você que o mundo não deveria ser do jeito que é.
Mas é possível tornar-se um observador da vida e alinhar-se com o Espírito da Criação universal.
Não se alcança o poder da intenção sentindo-se ofendido.
Procure erradicar, de todas as formas possíveis, os horrores do mundo que emanam da identificação maciça do ego, e esteja em paz.
A paz está em Deus e você que é parte Dele só retorna ao lar em Sua paz.
O Ser está em Deus e você que é parte Dele só retorna ao lar em Sua paz.
Ficar ofendido cria o mesmo tipo de energia destrutiva que a princípio o feriu, e leva a agressão, ao contra-ataque e a guerra.

2. Abandone o querer vencer.

O ego adora nos dividir entre ganhadores e perdedores.
A busca pela vitória é a forma infalível de evitar o contato consciente com a intenção.
Por quê? Porque basicamente é impossível vencer sempre.
Algumas pessoas serão mais rápidas, mais sortudas, mais jovens, mais fortes e mais espertas que você e acabará se sentindo insignificante e sem valor diante delas.
Você não se resume as suas conquistas e vitórias.
Uma coisa é gostar de competir e se divertir num mundo onde vencer é tudo, mas não precisa ser assim em seus pensamentos.
Não há perdedores num mundo onde todos compartilham da mesma fonte de energia.
Só se pode afirmar que, em determinado dia, sua atuação esteve num certo nível comparada a outras.
Mas cada dia é diferente, com outros competidores e novas situações a serem consideradas.
Você continua sendo a infinita presença num corpo que está a cada dia ou a cada década, mais velho.
Pare com essa necessidade de vencer, não aceite o conceito de que o contrário de vencer é perder.
Esse é o medo do ego.
Se seu corpo não está respondendo de forma vencedora, não importa, significa que você não está se identificando unicamente com seu ego.
Seja um observador, perceba e aprecie tudo sem a necessidade de ganhar um troféu.
Esteja em paz e alinhe-se com a energia da intenção.
De forma inusitada, as vitórias aparecerão mais em seu caminho quanto menos as desejá-las.

3. Abandone o querer estar certo.

O ego é a raiz de muitos conflitos e desavenças porque o impulsiona julgar as pessoas como erradas.
Quando a pessoa é hostil, houve uma desconexão com o poder da intenção.
O Espírito de Criação é generoso, amoroso e receptivo; e livre de raiva, ressentimento ou amargura.
Cessar a necessidade de ter razão nas discussões e nos relacionamentos é como dizer ao ego:
"Não sou seu escravo.Quero me tornar generoso.Quero rejeitar a necessidade de ter razão.Dê a oportunidade de se sentir bem dizendo a outra pessoa que ela está certa, e agradeça-a por lhe direcionar ao caminho da verdade".

Ao deixar de querer ter razão, você fortalece a conexão com o poder da intenção.
Mas fique atento, pois o ego é um combatente determinado.
Tenho visto pessoas terminarem lindos relacionamentos por apego a necessidade de estarem certas.
Preste atenção à vontade controlada pelo ego.
Quando estiver no meio de uma discussão, pergunte a si mesmo; "Quero estar certo ou ser feliz?"
Ao optar por ser feliz, amoroso e predisposto espiritualmente, a conexão com a intenção se fortalecerá.
Esses momentos expandem novas conexões com o poder da intenção.
A Fonte universal começará a colaborar com você para uma vida criativa ao qual foi predestinado a viver.

4. Abandone o querer ser superior.


A verdadeira nobreza não é uma questão de ser melhor que os outros.
É uma questão de ser melhor ao que você era.
Concentre-se em seu crescimento, consciente de que ninguém neste planeta é melhor que ninguém.
Todos nós emanamos da mesma força de vida criadora.
Todos temos a missão de realizar nossa pretendida essência, tudo que precisamos para cumprir nosso destino está ao nosso alcance.
Mas nada é possível quando nos sentimos superiores aos outros.
É um velho ditado e, todavia, verdadeiro: somos todos iguais aos olhos de Deus.
Abandone a necessidade de sentir-se superior, perceba a expansão de Deus em cada um.
Não julgue as pessoas pelas aparências, conquistas, posses e outros índices do ego.
Ao projetar sentimentos de superioridade retorna a você sentimentos de ressentimentos e até hostilidade.
Esses sentimentos são veículos que os levam para longe da intenção.
A distinção sempre leva a comparações.
Baseia-se na falta vista no outro, e se mantém pela procura e ostentação das falhas percebidas.

5. Deixe de querer ter mais.

O mantra do ego é "mais".
Ele nunca está satisfeito.
Não importa o quanto conquistou ou conseguiu, o ego insiste que ainda não é o suficiente.
Ele põe você num estado perpétuo de busca e elimina a possibilidade de chegada.
Na realidade, você já está lá e a forma que opta para usar esse momento presente da vida é uma escolha.
Ao cessar essa necessidade por mais, as coisas que mais deseja começam a chegar até você.
Sem o apego da posse, fica mais fácil compartilhar com os outros.
Você percebe o pouco que precisa para estar satisfeito e em paz.
A Fonte universal é feliz nela mesma, expande-se e cria vida nova constantemente.
Nunca obstrui suas criações por razões egoístas.
Cria e deixa ir.
Ao cessar a necessidade do ego de ter mais, você se unifica com a Fonte.
Como um apreciador de tudo que aparece, aprende a lição poderosa de São Francisco de Assis:
"É dando que se recebe".
Ao permitir que a abundância lhe banhe, você se alinha com a Fonte e deixa essa energia fluir.

6. Abandone a idéia de você baseado em seus feitos.

É um conceito difícil quando se acredita que a pessoa é o que ela realiza.
Deus compõe todas as músicas.
Deus constrói todos os prédios.
Deus é a fonte de todas as realizações.
Posso ouvir os egos protestando em alto e bom som.
Mas, vá se afinizando com essa idéia.
Tudo emana da Fonte!
Você e a Fonte são um só! Você não é esse corpo ou os seus feitos.
Você é um observador.
Veja tudo ao seu redor e seja grato pelas habilidades acumuladas.
Todo crédito pertence ao poder da intenção, o qual lhe fez existir e do qual você é uma parte materializada.
Quanto menos atribuir a si mesmo suas realizações, mais conectado estará com as sete faces da intenção, mais livre será para realizar e muito aparecerá em seu caminho.
Quando nos apegamos às realizações e acreditamos que as conseguimos sozinhos abandonamos a paz e a gratidão à Fonte.

7. Deixe sua reputação de lado.


Sua reputação não está localizada em você.
Ela reside na mente dos outros.
Você não tem controle algum sobre isso.
Ao falar para 30 pessoas, terá 30 imagens.
Conectar-se com a intenção significa ouvir o coração e direcionar sua vida baseado no que a voz interior lhe diz.
Esse é o seu propósito aqui.
Ao preocupar-se demasiadamente em como está sendo visto pelos outros, mostra que seu Ser está desconectado com a intenção e está sendo guiando pelas opiniões alheias.
É o seu ego no controle.
É uma ilusão que se levanta entre você e o poder da intenção.
Não há nada a fazer, a não ser que você se desconecte da fonte de poder convencido de que seu propósito é provar o quão poderoso e superior é, desperdiçando sua energia na tentativa de obter uma reputação maior entre outros egos.
Faça o que fizer, guie-se sempre pela voz interior conectada e seja grato à Fonte.
Atenha-se ao propósito, desapegue-se dos resultados e assuma a responsabilidade do que reside dentro de você: seu caráter.
Deixe os outros discutirem sobre a sua reputação, isso não interessa.

Namastê!

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010






O Som do Silêncio


Olá escuridão, minha velha amiga
Eu vim para conversar contigo novamente
Por causa de uma visão que se aproxima suavemente
Deixou suas sementes enquanto eu estava dormindo
E a visão que foi plantada em meu cérebro
Ainda permanece
Entre o som do silêncio
Em sonhos agitados eu caminho só
Em ruas estreitas de paralelepípedos
Sob a auréola de uma lamparina de rua
Virei meu colarinho para proteger do frio e umidade
Quando meus olhos foram apunhalados pelo lampejo de uma luz de néon
Que rachou a noite
E tocou o som do silêncio
E na luz nua eu vi
Dez mil pessoas talvez mais
Pessoas conversando sem falar
Pessoas ouvindo sem escutar
Pessoas escrevendo canções que vozes jamais compartilharam
Ninguém ousou
Perturbar o som do silêncio
"Tolos," eu disse, "vocês não sabem"
O silêncio como um câncer que cresce
Ouçam minhas palavras que eu posso lhes ensinar
Tomem meus braços que eu posso lhes estender"
Mas minhas palavras
Como silenciosas gotas de chuva caíram
E ecoaram no poço do silêncio
E as pessoas curvaram-se e rezaram
Ao Deus de néon que elas criaram
E um sinal faiscou o seu aviso
Nas palavras que estavam se formando
E o sinal disse, "As palavras dos profetas estão escritas nas paredes do metrô
E corredores de habitações"
E sussurraram no som do silêncio


The Song Of Silence / Simon e Garfunkel




quarta-feira, 6 de janeiro de 2010


Uma pequena lição sobre paciência e 
compaixão!


Um dia desses, eu estava voltando pra casa depois de duas aulas de Personal Yoga, era um “dia daqueles”, estava cansada e irritada. Minhas alunas moram no centro da cidade, fui à casa de uma e depois caminhei até a próxima aluna, o centro estava lotado, parecia que naquele dia em especial as calçadas estavam muito pequenas pra tanta gente. Os carros, o barulho, as pessoas andando rápidas e cabisbaixas, e o cansaço tinham me deixado sem energia, e ainda por cima eu teria que voltar pra casa de ônibus e dar mais duas aulas! Nossa realmente eu não estava bem... 


Chegando à parada de ônibus, achei um cantinho pra sentar e esperar meu ônibus que não passava nunca... Parecia uma eternidade aquele tempo ali. Até que uma senhora de idade avançada sentou-se ao meu lado e logo me perguntou: “ Que ônibus é esse?” Eu estava tão cansada que mal queria abrir a boca, mas sem olhar para a senhora, eu respondi. E assim ela continuou perguntando... Fiquei mais incomoda, até que, com a cara torcida, virei o rosto para ver a idosa e lhe disse: “ Senhora, qual ônibus está esperando?” .Ela respondeu: “Nonoai” . Era o mesmo ônibus meu! Falei: “ Olha senhora nosso ônibus é o mesmo, assim que ele chegar lhe aviso!” E virei o rosto novamente, para ficar sozinha com meus pensamentos e meu estresse. Mas o bem amado cósmico queria me testar, e logo ouvi a senhora perguntando mais uma vez e a cada ônibus que passava ( e não foram poucos): “ Que ônibus é esse?” . Eu nem podia acreditar que ela continuava a me “chatear”, confesso que tive vontade de levantar e deixa-la ali sozinha para que outra pessoa ajudasse. 


Foi então que minha alma Yoguini gritou dentro de mim! O que eu estava pensando e fazendo? Por mais que meu dia estivesse ruim, como eu poderia negar ajuda, ainda por cima a uma pessoa com mais experiência e sabedoria que eu, uma senhorinha de aparência humilde e sofrida, que provavelmente nem soubesse ler ou não conseguia ver o letreiro do ônibus e por isso estava com “medo” de perdê-lo. Então fui tomada por uma sensação de vergonha de mim mesma, quase com vontade de chorar, por deixar que certas “bobagens” não permitissem que eu reconhecesse ali naquela senhora o divino que habita em todos, não reconhecesse suas necessidade e que um dia minha mãe , eu , enfim, todos nós também teremos! 


Com muita paciência e compaixão me coloquei no lugar da senhorinha, continuei lhe respondendo, mas agora com mais ternura e atenção. Olhei nos olhos dela, percebi a pessoa que estava ali me pedindo uma “simples” ajuda e que quase neguei. Percebi a situação, a minha atitude e o Ser tão especial que estava diante de mim ofertando uma oportunidade para eu evoluir e aprender em uma parada de ônibus. 


Nosso transporte chegou, acompanhei a senhora até a porta dos idosos, e fui para minha porta, sentei no banco do ônibus renovada, sentindo-me leve, aliviada, e Feliz! Foi tão bom, reconhecer-me no outro, e não cair nas armadilhas do dia- a- dia, que nos envolvem por maya, ilusão, de que o “MEU EU” é mais importante que o SEU! 


Algo tão simples me fez entender o que é prasada, receber tudo e todos como benção! E também, a importância da paciência e a essência da compaixão! 


Aline Freitas.

domingo, 27 de dezembro de 2009



Paz...Shanti


Sempre penso na paz como uma sementinha que devemos cultivar em nosso jardim interior com muita dedicação. Nos dias de hoje existem vários fatores que podem tirar a nossa paz, o mundo mudou tanto e tão rápido que a paz verdadeira está quase extinta.


Lembro das histórias que meus pais contavam... Os dois viveram à infância no campo, em uma vida muito simples, minha mãe sempre diz que aquela época foi a mais feliz da sua vida, claro que quando se é criança se é mais feliz, mas minha mãe fala no sentido da vida humilde e sincera que levavam...brincando em árvores, nadando em rios, fazendo boizinhos e bonecas com laranjas, minha vó cultiva a comida que ia para mesa, sem celular, computador, modernidades, modas, simples assim...apenas a felicidade de viver com a família, perto da terra, da natureza, sem tantos desejos e apegos!


Meu pai também viveu assim, e até hoje ele foge do stress da cidade e trabalho no campo...nunca deixou rebentar este laço com a "vida na fazenda". Agradeço aos dois que me falavam sobre isso (mesmo que muitas vezes eu não entendesse a real importância), me passaram essa ligação com gente simples, humilde, com a natureza, com os animais!


Vejo as crianças envolvidas pela ilusão dos desejos desde tão cedo, é um consumismo desfreado e inútil, tão logo se tem a boneca que vale um salário mínimo (que muitos nem chegam a ganhar) já se está pedindo a casa da boneca, o vestido, o carro, ou outra boneca. E assim os pais vão comprando seus filhos, pois o trabalho vem em primeiro lugar e a maioria das crianças nem convive direito com os pais!


Nós precisamos trabalhar, pagar contas, ir no mercado, enfrentar muitas filas, trânsito, impostos, e a PAZ vai desaparecendo sem nos darmos conta!


Tudo em nome do TER! Mas é aí que se perde o caminho, pois o caminho do PAZ vem do SER, vem de um momento simples, de um abraço, um beijo, uma borboleta que pousa na flor da janela...


Se o carro é muito valioso, a roupa de grife, o celular o último lançamento, a casa repleta de bens ( a maioria luxo desnecessário), como se ter PAZ? Impossível, neste caso o que ganha espaço é o medo, a insegurança, o pânico...de perder, de morrer, de sofrer um assalto, enfim!


Tudo o que vivemos é reflexo do nosso estilo de vida...daquilo que plantamos!


Aprendi com minha mãe e boa parte da minha família, que é só na simplicidade que existe a PAZ inabalável!
A paz vem de dentro pra fora! E o meu sincero desejo para mim, para as pessoas que amo, para todo o mundo no novo ano que chega é a PAZ verdadeira...paz pra vida inteira! E também uma profunda reflexão sobre o que realmente importa...


Só quando a consciência coletiva mudar e acordar para o real valor da vida, e do viver, acordar do sonho de viver externamente e passar a valorizar e respeitar as coisas eternas e internas é que a mudança será efetiva.


A paz vem da mudança...que haja transformação e que ela comece em mim, em você, em nós!


Shanti OM!
Aline Freitas.


Deixo aqui um trecho do Gabriel "o pensador"





"Muda, que quando a gente muda o mundo muda com a gente
A gente muda o mundo na mudança da mente
E quando a mente muda a gente anda pra frente
E quando a gente manda ninguém manda na gente

Na mudança de atitude não há mal que não se mude nem doença sem cura
Na mudança de postura a gente fica mais seguro
Na mudança do presente a gente molda o futuro."


Eventos do mês de setembro: Palestra e vivência sobre pranayama! Clique na imagem e confira...

Eventos do mês de setembro: Palestra e vivência sobre pranayama! Clique na imagem e confira...

Yoga para Crianças

Yoga para Crianças
Brincadeira de criança como é bom, traz amor e esperança...como é bom!

Quem sou eu

Minha foto
Ilimitada, sou uma pessoa que vive a vida de maneira simples e feliz...busco estar em união com Deus, com o universo, com pessoas do bem, com a natureza e comigo mesma.Sou formada em Educacão Fisíca e minha paixão pelo Yoga começou a oito anos atrás, desde então, estou em constante processo de aprendizado para compreender, praticar e ensinar a filosofia yogue em toda sua dimensão. O Yoga é a luz no meu caminho e somente ele trouxe ao meu encontro Deus, que se estabeleceu no meu coração para toda a eternidade! "...finalmente, vi o sol brilhando por trás das nuves, e nunca mais esquecerei a sua face." Ensinar o disciplina yogue me possibilitou estar sempre em contato com seres de luz, minhas alunas e alunos, com quem tenho uma relação de amizade e carinho muito grande e é por isso que criei este blog para ficarmos ainda mais próximos. Ai está um pouco de mim...Namastê!

Sat Sanga, Comunhão com a Verdade!

Sat Sanga, Comunhão com a Verdade!